Da Beira Alta ao Alto Douro

A norte de Vilar Formoso estende-se um planalto até Barca de Alva, passando por Almeida e Castelo Rodrigo. Do outro lado da fronteira, fica Lumbrales, San Felice, Ciudad Rodrigo e Aldea del Obispo. Juntos formam um conjunto de núcleos urbanos com grande importância histórica devido à sua localização na zona fronteiriça.

Para ver o roteiro completo em pdf, clique aqui: roteiro_escalhao

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Almeida, a estrela do interior

Almeida faz parte do Programa de Aldeias Históricas, um conjunto de núcleos urbanos anteriores à fundação de Portugal, com grande importância histórica. Esta velha fortaleza e histórica praça de guerra foi sucessivamente disputada durante vários séculos, devido à sua localização no limite fronteiriço do território português. A Praça Forte de Almeida (séc.XVII/XVIII) é um belo exemplar de arquitetura militar barroca com traçado hexagonal em estrela.

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Castelo Rodrigo

A 22km de Almeida, seguindo pela Estrada que vai dar a Barca de Alva, e em frente à Serra da Marofa (alt. maxima 977m), encontra-se a aldeia histórica de Castelo Rodrigo.

Castelo Rodrigo é um espaço monumental que conserva importantes referências no plano medieval. Está rodeado de muralhas, inicialmente compostas por 13 torreões. Foi restaurada e mantém até hoje a sua traça medieval. Caminhando pelas suas ruas podemos ver interessantes casas, umas de estilo árabe, e outras manuelinas.

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Serra da Marofa

Na sua base fica a vila de Figueira de Castelo Rodrigo, no topo uma estátua do Cristo Rei, e pelo caminho uma via sacra com diversas “casas” representando o percurso de Jesus carregando a cruz. A estátua do Cristo Rei da Serra da Marofa é a mais antiga e a mais elevada do país, a quase 1.000m de altitude. Esculpida em granito branco, com 6m de altura, foi aqui colocada em Julho de 1956, de braços abertos, como que abençoando o Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

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Escalhão

Esta freguesia fica situada na margem esquerda do rio Águeda, onde em tempos existiu um castro luso-romano. Escalhão foi Vila e Sede de Concelho até ao início do séc. XIX com foral dado por D. João IV em 1650. A igreja Matriz apresenta vestígios da fortaleza medieval, que aqui se elevou no reinado de D. Dinis (frontaria e a torre do relógio). Por estas razões é mais conhecida por “Igreja-Fortaleza”. É um templo imponente do séc. XVI, mais parecido com uma catedral.

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Barca de Alva

Barca de Alva é uma aldeia inserida no Parque Natural do Douro Internacional e que tem nas amendoeiras em flor um dos seus espectáculos naturais mais belos. Esta localidade ergue-se na margem esquerda do rio Douro e, daqui já se avistam terras espanholas. Em Barca de Alva encontramos um cais fluvial, que assinala o fim do Douro navegável em Portugal. Aqui chegam e partem muitos cruzeiros que fazem o seu percurso pelo Douro.

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Vale da Ribeira do Mosteiro

A Ribeira do Mosteiro é uma pequena linha de água que escavou um vale profundo com vertiginosas escarpas e precipícios. Esta ribeira nasce na freguesia de Mós. O vale da Ribeira do Mosteiro, constitui um dos ex-libris nacionais em termos geológicos, paisagísticos e naturais. No miradouro, existem algumas trilhas assinaladas: Ponte e Calçada de Santa Ana (270m); Calçada de Alpajares (2,8km); e Foz da Ribeira do Mosteiro (2,6km).

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Penedo Durão

Situado a cerca de 2km da vila de Freixo de Espada à Cinta, perto de Poiares, o Penedo Durão é um enorme rochedo que se ergue sobre a margem direita do rio Douro.

No topo do Penedo, existe um miradouro que, para além das excelentes vistas que oferece, constitui um local privilegiado para observação de aves. Lá em baixo, em terras espanholas avistamos a barragem de Saucelle e a foz do rio espanhol Huebra. Este miradouro está equipado com um varandim e uma escadaria de acesso em pedra, de onde se avista a espectacular paisagem do rio Douro que vai recortando as xistosas serras que o rodeiam.

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Lumbrales

A história desta região está interligada com o passado histórico português de Almeida e Castelo Rodrigo. O Tratado de Alcanizes assinado em 1297 por D.Dinis e Fernando IV de León y Castilla, definia as fronteiras. A região oriental do Côa, que até então pertencia ao Reino de Leão foi anexada a Portugal. Posteriormente, em 1647, durante a Guerra da Independência de Portugal, Lumbrales foi incendiada pelos portugueses.

A gastronomia é o seu cartão de visita. Destaco dois restaurantes: Apartadero Dos, Ctra. Estación, s/n; e El Rincon Charro, Plaza de San Sebastián, 6.

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San Felice de Los Gallegos, a flor da fronteira

Supõe-se que a vila tenha sido fundada no ano de 693 pelo bispo visigodo D.Félix. Esse primitivo povoado foi recuperado no séc. X por Ramiro II com colonos vindos do noroeste da península. Esses colonos estabeleceram-se no interior deste recinto amuralhado chamado de Cerca Vieja. A sua origem está na segunda metade do séc. XII, tendo sido completada no séc. XIII e reformada a partir do séc. XIV. Á medida que, com o tempo, a população foi crescendo, tornou-se necessário ampliar e retocar o recinto fortificado.

Entre os elementos defensivos de San Felices destaca-se a Torre del Homenaje, uma espetacular torre quadrada protegida por dois fortes recintos preparados para a artilharia. É um símbolo de grande visibilidade que representa o carácter fronteiriço da vila.

Disputada por ambos os países passou de mãos em diversos momentos da história. É o povoado salamantino que mais vezes pertenceu a Portugal.

A origem desta fortificação está ligada ao monarca português D.Dinis que conquistou esta povoação em 1296. Em 1308, mandou construir um conjunto de torres-fortaleza que controlavam a fronteira.

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Pinturas rupestres de Siega Verde

Seguindo em direção a Ciudad Rodrigo, faça um desvio até à beira do Águeda onde se situam as pinturas rupestres de Siega Verde.

O Vale do Côa e a zona arqueológica de Siega Verde representam o maior conjunto de arte rupestre paleolítica ao ar livre do mundo. Ambos os locais (Foz Côa e Siega Verde) dispõem de um centro de acolhimento aos visitantes: o Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa e a Zona Arqueológica de Siega Verde, perto de Ciudad Rodrigo, junto à margem do rio Águeda.

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Ciudad Rodrigo

Ciudad Rodrigo, é uma pequena vila medieval com um grande património arquitectónico, localizada na província de Salamanca, comunidade autónoma de Castela e Leão, perto da fronteira com Portugal (20km).

A presença do homem nesta região remonta ao Paleolítico Superior, como o comprovam as pinturas rupestres de Siega Verde, a 10km da cidade.

Ciudad Rodrigo destaca-se como um dos principais conjuntos histórico-artísticos do oeste castelhano. Esta cidade fortificada guarda no seu interior, inúmeros edifícios históricos (igrejas, casas barrocas e renascentistas, palácios…) que representam um passado histórico que ficou encerrado dentro das muralhas. A maioria das construções datam dos séculos XV e XVI, altura em que a cidade viveu os seus tempos áureos.

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Fuerte de La Concepción, Aldea del Obispo

A história do Real Fuerte de la Concepción está, tal como os outros fortes localizados perto das fronteiras, ligada às disputas territoriais dos dois países. Localiza-se na Aldea del Obispo.

A construção do Fuerte de La Concepción teve início a 8 de dezembro de 1663, no dia da Imaculada Conceição, que deu nome a este forte. A primeira fase dos trabalhos foi concluída em apenas 40 dias e o forte acolheu então uma guarnição de 1500 soldados de infantaria e 200 cavaleiros. No entanto, só durante a Guerra da Independência, é que o forte veio a desempenhar um papel de destaque. Os ingleses desembarcaram em Portugal e o vasto território onde se encontrava situado este Forte tornou-se então num campo de batalha durante a Guerra da Independência espanhola. No entanto, a 21 de julho de 1810, os britânicos, batidos em retirada, demoliram novamente o Forte. Grande parte da muralha desmoronou.

Em 2006, os proprietários atuais compraram as ruínas do Forte, dando início ao processo de recuperação e valorização, transformando-o num estabelecimento hoteleiro. Esta grande transformação foi concluída em 2012, quando o Fuerte de La Concepción abriu como hotel de luxo.

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Foz Côa

A necessidade de demarcar o território do Parque Arqueológico do Vale do Côa surgiu a partir de 1994, depois de sucessivas descobertas de novos núcleos de painéis gravados em vários locais de ambas as margens, nos últimos 17km do Côa, bem como em algumas ribeiras adjacentes até ao próprio Douro.

Este, trata-se do primeiro sítio a ter sido identificado com arte paleolítica no Vale do Côa. Destaca-se a quantidade e a qualidade das suas figuras paleolíticas, na sua grande maioria submersas nas águas da albufeira da Barragem do Pocinho. Há ainda numerosas figuras da cronologia moderna e contemporânea.

A colecção do Museu está no exterior: o Vale do Côa. Por isso, o espólio corpóreo original está ausente no museu, com excepção de algumas peças seleccionadas. O Museu evidencia os próprios sítios arqueológicos como verdadeiros objectos de referência material e remete para formatos e vocabulários expositivos recentes, criando um ambiente com novos suportes e leituras e tornando-o atrativo para todas as idades.

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